Nos últimos anos, o mercado de plano de saúde registrou um crescimento expressivo no número de beneficiários de planos de saúde exclusivamente odontológicos, fato que vem atraindo o interesse sobre novas oportunidades e desafios do mercado.
Este artigo tem também como objetivo apresentar os principais resultados do Guia de Custo Odontológico da Milliman 2025.
Visão geral
O mercado de saúde suplementar odontológica no Brasil tem apresentado crescimento significativo nos últimos anos, refletido no aumento expressivo do número de beneficiários e, consequentemente, a taxa de cobertura da população.
De acordo com os dados consolidados da ANS, o número de beneficiários em planos de saúde exclusivamente odontológicos apresentou um aumento de 6,4% no ano de 2024, mesmo o crescimento da população tendo sido de 0,42%, o que gerou uma elevação de 1,2% na taxa de cobertura.
A título de comparação, o número de beneficiários de planos médico, hospitalar com ou sem odontologia amentou 1,5% no ano de 2024.
A tabela a seguir demonstra esse crescimento para planos exclusivamente odontológicos nos últimos anos:
Figura 1: Beneficiários por planos privados de saúde exclusivamente odontológicos
| NÚMERO DE BENEFICIÁRIOS (EM MILHÕES) |
PERCENTUAL DE COBERTURA DA POPULAÇÃO |
|
|---|---|---|
| 2019 | 25,3 | 11,5 |
| 2020 | 25,9 | 11,6 |
| 2021 | 28,1 | 12,7 |
| 2022 | 30 | 13,7 |
| 2023 | 32,4 | 14,6 |
| 2024 | 34,4 | 15,8 |
| 2025* | 34,9 | 16,2 |
* Nos demais anos estamos considerando a posição de 31 de dezembro, entretanto para 2025 a posição mais recente disponível na página da ANS é de 30 de setembro.
Em relação ao tipo de contratação, este mercado demonstra uma grande concentração de contratos coletivos empresariais, como representado no gráfico a seguir, o que é similar à concentração observada no mercado de planos médico-hospitalares:
Figura 2: Percentual das contratações de planos exclusivamente odontológicos
Esse cenário evidencia uma grande dependência da oferta do benefício de saúde oferecido no mercado de trabalho para funcionários, que vem crescendo constantemente.
Porém, visto a ainda baixa taxa de cobertura, as demais contratações têm potenciais de crescimento, sendo extremamente importante o conhecimento dos custos e riscos envolvidos.
Em termos de volume das despesas assistenciais e contraprestações, este mercado também tem demonstrado crescimento. Entre os anos de 2019 e 2024, foi observado um aumento médio anual de 8% das contraprestações versus um aumento médio anual de apenas 1% das despesas assistenciais. O aumento das contraprestações mais alinhado aos 6% de aumento médio anual do número de beneficiários de neste mesmo período.
O gráfico a seguir apresenta a evolução da contraprestação e das despesas assistenciais nos últimos anos:
Figura 3: Contraprestações e despesas assistenciais totais para planos exclusuivamente odontológicos, em bilhões – acumulado 12 meses
*Para o ano de 2025, os dados disponíveis são até 2º trimestre de 2025. Fonte: Painel Econômico-Financeiro da saúde Suplementar da ANS.
Dessa forma, podemos notar o aumento do volume de receita ao longo dos anos, coerente com aumento do número de beneficiários, que foi de 6% média anual. Além disso, não identificamos variação significativa no período avaliado em relação ao custo por beneficiário.
Vale ressaltar ainda que, como os dados da ANS contemplam 12 meses, as informações de 2025 contêm as informações do 2º semestre de 2024 e do 1º semestre de 2025. Entretanto, já é possível observar que o volume da contraprestação de 2025 já é maior que o do primeiro semestre de 2024.
Guia de custo odontológico da Milliman 2025
O Mercado de planos exclusivamente odontológicos apresenta uma variedade de produtos, sendo distinto pela área de abrangência, modelo de pagamento, coberturas além do rol, tipo de operadora etc.
Desta forma, para um melhor entendimento do mercado, o presente estudo tem como objetivo avaliar os produtos regulamentados de todas as contratações, sem fator moderador, com valor pré-estabelecido e somente os eventos odontológicos presentes no Rol de procedimentos da ANS. Tal grupo foi selecionado como grupo padrão do estudo.
Foram considerados dados abertos de todas as OPS/SES por unidade federativa dos anos de 2022 e 2023 e os dados consolidados da ANS até o 2º trimestre de 2025.
Apresentamos uma análise do perfil demográfico do mercado, expectativa de utilização e custos esperados para 2025 e a avaliação de variação de custos odontológicos.
Para o cálculo do índice de Variação dos Custos Odontológicos - VCO, utilizamos os dados abertos disponibilizados pela ANS contendo de base analítica de beneficiários e sinistros de todos os estados do Brasil, incluindo o Distrito Federal, nos anos de 2022 e 2023 e informações sobre os planos.
Demografia dos beneficiários
De modo geral, segundo os dados da ANS e com os filtros mencionados anteriormente, o grupo de estudo contemplou para 2023 aproximadamente 19 milhões de beneficiários em planos com cobertura exclusivamente odontológica. Esse montante representa um aumento de 9,3% em relação a 2022, que contemplou cerca de 17 milhões de beneficiários.
Analisando o total de beneficiários por sexo identificamos que 51% é feminino e 49% é masculino, ficando bem distribuída a quantidade de beneficiários por sexo. Vale ressaltar que essa proporção é semelhante na população total brasileira.
Em nosso estudo, primeiramente analisamos a distribuição dos beneficiários em cada faixa etária, como demonstramos a seguir:
Figura 4: Pirâmide etária
Pelo gráfico, é possível verificar que a maior concentração de beneficiários está nas faixas de 20 a 49 anos, onde se concentram a maior parte dos trabalhadores ativos, tendo relação também com o maior número de beneficiários na contratação coletiva empresarial.
Ressaltamos que, analisando essa distribuição por estado, verificamos o mesmo comportamento em percentual para cada faixa etária, sendo o maior volume de beneficiários na faixa de 30 a 39 anos de idade.
Em relação à idade média desses beneficiários nas contratações individual/familiar, coletivo por adesão e coletivo empresarial, identificamos que foram de 40, 39 e 34 anos, respectivamente, o que está de acordo com o número de beneficiários demonstrado na tabela anterior.
Na análise por contratação, comparando os anos de 2023 e 2022, identificamos um aumento em todas as modalidades, como demonstrado a seguir:
Figura 5: Número de beneficiários por contratação
| CONTRATAÇÃO | 2023 (EM MILHÕES) |
2022 (EM MILHÕES) |
DIFERENÇA |
|---|---|---|---|
| Individual ou Familiar | 3,6 | 3,1 | 13% |
| Coletivo por Adesão | 2,2 | 1,9 | 19% |
| Coletivo Empresarial | 13,2 | 12,4 | 7% |
| Total | 19 | 17,4 | 9% |
Porém, no primeiro semestre de 2025 observamos uma redução na quantidade de vidas vinculadas à contratação individual, o que tem ocorrido de forma geral na saúde suplementar.
Como o Brasil é um país extenso e com grande diversidade populacional, com o objetivo de compreender mais detalhadamente as particularidades regionais, calculamos alguns resultados também por estado.
Assim como existe a concentração populacional em certas regiões do país, é possível identificar a concentração do número de beneficiários em planos de saúde odontológicos em alguns estados, como demonstrado na imagem a seguir:
Figura 6: Quantidade de beneficiários por estado*
Figura 7: Taxa de cobertura por estado*
*Ressaltamos ainda que, como mencionado anteriormente, os dados analisados consideram produtos regulamentados de todas as contratações, sem fator moderador, com valor pré-estabelecido e somente os eventos odontológicos presentes no Rol de procedimentos da ANS.
A região Sudeste, além de ser a região com maior concentração populacional do país, apresenta o maior número de beneficiários. Esse resultado é impulsionado principalmente pelo estado de São Paulo, que concentra 34% da população total do Brasil, demonstrando que o mercado brasileiro tem grande potencial de expansão nas demais regiões.
Adicionalmente, a taxa de cobertura por estado também tem grandes variações, sendo a maior no Distrito Federal, seguido de São Paulo e Rio de Janeiro.
Custo assistencial
De modo geral, o custo assistencial esperado para o ano de 2025 é de R$ 13,43, considerando o grupo estudado; entretanto, esse resultado pode ser mais bem analisado com algumas aberturas.
Apesar de o mercado normalmente comercializar tais produtos por preço único, é importante o entendimento dos custos por faixa etária para melhor compreender o comportamento.
Nesse sentido, analisamos os dados em relação às faixas etárias dos beneficiários e demonstramos a seguir o custo mensal por beneficiário, por sexo e por faixa etária:
Figura 8: Custo assistencial mensal por beneficiário por sexo e por faixa etaria
| FAIXA ETÁRIA | MULHERES | HOMENS | TOTAL |
|---|---|---|---|
| 0 ano | R$ 2,10 | R$ 3,15 | R$ 2,65 |
| 1 a 4 anos | R$ 4,41 | R$ 4,20 | R$ 4,31 |
| 5 a 9 anos | R$ 9,92 | R$ 9,28 | R$ 9,59 |
| 10 a 14 anos | R$ 11,11 | R$ 9,89 | R$ 10,48 |
| 15 a 19 anos | R$ 13,52 | R$ 11,68 | R$ 12,59 |
| 20 a 29 anos | R$ 17,28 | R$ 13,23 | R$ 15,28 |
| 30 a 39 anos | R$ 16,20 | R$ 13,12 | R$ 14,69 |
| 40 a 49 anos | R$ 16,37 | R$ 12,67 | R$ 14,54 |
| 50 a 59 anos | R$ 15,80 | R$ 12,85 | R$ 14,36 |
| 60 a 69 anos | R$ 12,22 | R$ 11,20 | R$ 11,75 |
| 70 ou mais | R$ 7,87 | R$ 8,27 | R$ 8,05 |
| Percapta | R$ 14,79 | R$ 12,03 | R$ 13,43 |
Dessa forma, podemos notar que, até chegar às faixas de 20 a 29 anos, temos um aumento gradual dos custos; entre 20 e 49 anos, observamos pequenas variações; e, a partir dos 50 anos, passamos a observar uma redução dos custos assistenciais.
Quanto à variação por sexo, podemos observar, em geral, um custo assistencial maior para o sexo feminino.
Sendo assim, apesar de o mercado normalmente comercializar o produto em faixa única, existe a possibilidade de comercialização em diferentes faixas etárias, buscando uma maior adesão das faixas jovens.
Além disso, apresentamos também o custo mensal esperado por beneficiário para cada tipo de contratação, como demonstrado a seguir:
Figura 9: Custo assistencial mensal por beneficiário por contratação e por faixa etaria
| FAIXA ETÁRIA | INDIVIDUAL / FAMILIAR |
COLETIVO POR ADESÃO |
COLETIVO EMPRESARIAL |
|---|---|---|---|
| 0 ano | R$ 4,38 | R$ 3,50 | R$ 2,62 |
| 1 a 4 anos | R$ 7,11 | R$ 5,68 | R$ 4,26 |
| 5 a 9 anos | R$ 15,84 | R$ 12,67 | R$ 9,49 |
| 10 a 14 anos | R$ 17,32 | R$ 13,84 | R$ 10,37 |
| 15 a 19 anos | R$ 20,80 | R$ 16,62 | R$ 12,45 |
| 20 a 29 anos | R$ 25,24 | R$ 20,17 | R$ 15,11 |
| 30 a 39 anos | R$ 24,26 | R$ 19,39 | R$ 14,53 |
| 40 a 49 anos | R$ 24,01 | R$ 19,19 | R$ 14,38 |
| 50 a 59 anos | R$ 23,72 | R$ 18,96 | R$ 14,20 |
| 60 a 69 anos | R$ 19,40 | R$ 15,51 | R$ 11,62 |
| 70 ou mais | R$ 13,29 | R$ 10,62 | R$ 7,96 |
| Percapta | R$ 22,18 | R$ 17,43 | R$ 13,28 |
Esclarecemos ainda que o comportamento da variação por sexo em todas as contratações ocorre na mesma proporção apresentada na Figura 7.
Ainda com o objetivo de analisar os diferentes cenários do país, apresentamos o custo assistencial por beneficiário e por UF, como demonstrado a seguir:
Figura 10: Fator de risco e custo assistencial mensal por beenficiário por cada UF*
| UF | FATOR | CUSTO | UF | FATOR | CUSTO |
|---|---|---|---|---|---|
| AC | 1,21 | R$ 16,29 | PB | 0,75 | R$ 10,02 |
| AL | 0,76 | R$ 10,14 | PE | 0,86 | R$ 11,52 |
| AM | 0,82 | R$ 10,98 | PI | 0,81 | R$ 10,93 |
| AP | 1,50 | R$ 20,14 | PR | 0,82 | R$ 10,98 |
| BA | 1,14 | R$ 15,33 | RJ | 0,95 | R$ 12,73 |
| CE | 0,82 | R$ 11,04 | RN | 0,95 | R$ 12,78 |
| DF | 1,31 | R$ 17,54 | RO | 1,27 | R$ 17,05 |
| ES | 0,91 | R$ 12,26 | RR | 1,30 | R$ 17,50 |
| GO | 1,37 | R$ 18,37 | RS | 0,90 | R$ 12,07 |
| MA | 0,55 | R$ 7,43 | SC | 1,13 | R$ 15,12 |
| MG | 1,02 | R$ 13,73 | SE | 1,08 | R$ 14,56 |
| MS | 0,60 | R$ 8,11 | SP | 1,04 | R$ 14,03 |
| MT | 1,26 | R$ 16,87 | TO | 0,80 | R$ 10,74 |
| PA | 1,31 | R$ 17,60 | |||
*fator de ajuste referente ao custo geral de R$ 13,43.
Podemos observar variações do custo em cada unidade federativa, destacando de Mato Grosso do Sul – MS e Amapá - AP, que apresentam o menor e o maior custo, respectivamente.
Assim, os dados e as oscilações particulares de cada estado reforçam a necessidade de analisar o setor de forma segmentada. O resultado único para o país demonstra um panorama geral, porém não é ideal para todos os cenários.
Além disso, os estados com menos beneficiários estão mais suscetíveis a variações mais abruptas, diferentemente dos estados com maior concentração da população, que possuem variações mais controladas, mesmo havendo impactos econômicos.
É importante ressaltar ainda que, quanto mais específico é o estudo, melhor é a análise; portanto, cada OPS/SES deve analisar minuciosamente as particularidades de suas carteiras.
Outro ponto que analisamos foi o custo assistencial de cada item de despesa, para melhor avaliar os procedimentos e seus que mais impactos.
Entre 2022 e 2023, a variação da distribuição do custo assistencial não foi tão expressiva, mantendo-se que o maior custo em relação aos procedimentos da Item de Dentística, seguido de Periodontia e Próteses.
Na figura a seguir demonstramos o resultado geral para o estudo de 2025:
Figura 11: Custo assistencial mensal por beneficiário por item de despesa
| ITEM DE DESPESA | FREQUÊNCIA POR 1000 BENEFICIÁRIOS |
VALOR MÉDIO | CUSTO MENSAL POR BENEFICIÁRIO |
PESO DO ITEM |
|---|---|---|---|---|
| Diagnóstico | 425,11 | R$ 16,50 | R$ 0,58 | 4,35% |
| Exames Radiográficos | 646,13 | R$ 25,30 | R$ 1,36 | 10,14% |
| Prevenção | 861,11 | R$ 12,80 | R$ 0,92 | 6,84% |
| Dentística | 881,87 | R$ 41,82 | R$ 3,07 | 22,89% |
| Periodontia | 1134,95 | R$ 19,17 | R$ 1,81 | 13,50% |
| Cirurgia | 126,44 | R$ 64,03 | R$ 0,67 | 5,02% |
| Endodontia | 89,47 | R$ 179,93 | R$ 1,34 | 9,99% |
| Prótese | 101,85 | R$ 188,65 | R$ 1,60 | 11,92% |
| Implantodontia | 1,35 | R$ 805,59 | R$ 0,09 | 0,68% |
| Ortodontia | 133,42 | R$ 89,99 | R$ 1,00 | 7,45% |
| Urgência | 50,92 | R$ 64,33 | R$ 0,27 | 2,03% |
| Odontopediatria | 36,21 | R$ 31,18 | R$ 0,09 | 0,70% |
| Demais Procedimentos | 143,09 | R$ 50,12 | R$ 0,60 | 4,45% |
| Total | 4.633,62 | R$ 34,78 | R$ 13,43 | 100% |
Por fim, é demonstrada a necessidade de entender o setor de forma segregada e não só no panorama geral ou em média geral. A avaliação dos subsegmentos, faixa etária, tipo de contratação, UF, itens de despesas etc., é imprescindível para que as OPS/SES possam tomar decisões estratégicas de acordo com sua realidade, evitando desperdícios e otimizando os processos internos de gestão da empresa.
Variação dos custos assistenciais
Esse avanço dos planos odontológicos e o aumento do número de beneficiários naturalmente pressionam as despesas assistenciais, motivo pelo qual também calculamos, para o conjunto do Brasil, indicadores-chave como a Variação dos Custos Odontológicos – VCO.
Esse cálculo é essencial para entender a dinâmica de custos dos planos, e o acompanhamento desse índice deve ser feito de forma contínua para auxiliar a análise de solvência e melhorar decisões estratégicas das OPS/SES.
Como mencionamos anteriormente, para analisar o resultado total do Brasil, consideramos as OPS/SES sem distinção de modalidade, planos sem fator moderador, com valor pré-estabelecido e somente os eventos odontológicos presentes no Rol de procedimentos da ANS.
Desse modo, observamos um VCO total de 9,53% para todo o Brasil. Ressaltamos que a avalição apresentada do VCO tem como objetivo mostrar um panorama geral do mercado, entretanto, é recomendado sempre que possível a avaliação segregada de acordo com o tipo de risco assumido.
Modelo de pagamento
Analisando o painel econômico-financeiro da ANS, é possível também avaliar os modelos de pagamento mais utilizados neste mercado e, pelos dados mais atuais, o pagamento por procedimento tem o maior percentual, sendo a maior parte paga direto ao prestador e os demais através de reembolso. Seguido do modelo capitation.
O modelo de pagamento por serviço é o modelo mais utilizado ao longo dos anos. Outros modelos de pagamento, como, por exemplo, Pacote, Rateio e valor baseado em cuidado, ainda não possuem grande aderência no setor.
Vale ressaltar que no setor médico-hospitalar outros tipos de modelos de pagamento já são bem mais utilizados. Um cenário similar também é observado no mercado americano e exemplifica o potencial de crescimento do setor odontológico que ainda consegue explorar novas áreas.
No gráfico a seguir, apresentamos o percentual de eventos por forma de pagamento acumulados ao longo dos anos:
Figura 12: Percentual de eventos por forma de pagamento acumulado
*Para o ano de 2025, os dados disponíveis são até 2º trimestre de 2025. Fonte: Painel Econômico-Financeiro da saúde Suplementar da ANS.
Dessa forma, já é possível identificar que existe uma predominância do modelo de pagamento por procedimento e, com a expansão do setor, é possível explorar novas modalidades.
Aderir a novos modelos alternativos, como valor baseado em cuidado ou até mesmo explorar mais o método de Capitation pode proporcionar maior equilíbrio dos riscos e ampliar a oferta.
Conclusão
A análise dos planos odontológicos no Brasil evidencia um setor em plena expansão, impulsionado tanto pela crescente conscientização sobre saúde bucal quanto pela busca das operadoras por diversificação de riscos.
A constante atualização da regulação da ANS e do Rol de Procedimentos tem contribuído para ampliar o acesso da população a serviços odontológicos e, consequentemente, gerando maior receita para o setor.
Da mesma forma, a sustentabilidade das operadoras requer maior análise de dados e aprimoramento dos modelos atuariais que incorporem os riscos do mercado. O crescimento da demanda e a pressão regulatória por maior cobertura são os principais desafios no momento e podem ser mitigados com a análise das particularidades de cada carteira.
O VCO geral do país é importante para basear os debates, mas é fundamental que as OPS/SES entendam bem os seus próprios riscos e variações, desenvolvendo estratégias para monitorar as oscilações econômicas do setor, prevenir possíveis impactos financeiros e adequar a precificação.
Por fim, o futuro dos planos odontológicos no Brasil dependerá da capacidade do setor de equilibrar qualidade assistencial, sustentabilidade atuarial e inclusão social. A adoção de práticas inovadoras baseadas em evidências, aliada a um diálogo transparente com reguladores e prestadores, será determinante para consolidar um mercado mais acessível e eficiente para os beneficiários.
Referências
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Dados de Beneficiários por operadora. Disponível em: https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/dados-de-beneficiarios-por-operadora. Acesso em: 02 out. 2025.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Dados de Sinistros por Estado no Brasil. Disponível em: https://dadosabertos.ans.gov.br/FTP/PDA/TISS/AMBULATORIAL/. Acesso em: 02 out. 2025.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Dados de Planos no Brasil. Disponível em: https://dadosabertos.ans.gov.br/FTP/PDA/TISS/. Acesso em: 02 out. 2025.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Características dos Produtos da Saúde Suplementar. Disponível em: https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/caracteristicas-dos-produtos-da-saude-suplementar. Acesso em: 02 out. 2025.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Painel Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiM2EyNGY3OGItNWZmYy00ZTJkLWI5YjAtMWU3OTFlZWNmNTYxIiwidCI6IjlkYmE0ODBjLTRmYTctNDJmNC1iYmEzLTBmYjEzNzVmYmU1ZiJ9. Acesso em: 02 out. 2025.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. TABNET - Beneficiários por UFs, Regiões Metropolitanas (RM) e Capitais. Disponível em: https://www.ans.gov.br/anstabnet/cgi-bin/dh?dados/tabnet_br.def. Acesso em: 11 nov. 2025.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Dados Gerais. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/perfil-do-setor/dados-gerais. Acesso em: 11 nov. 2025.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-estimativas-de-populacao.html?=&t=downloads. Acesso em: 11 nov. 2025.