A sustentabilidade dos sistemas de saúde no Brasil, tanto no público quanto no privado, tem se tornado um desafio crescente diante do envelhecimento populacional, do aumento das doenças crônicas não transmissíveis,1 e dos custos crescentes com novos tratamentos e tecnologias. Nesse contexto, surge a necessidade de repensar a organização, gestão e o financiamento do cuidado, buscando modelos de remuneração que priorizem a eficiência, a qualidade e a experiência do paciente.
Introdução
Atualmente, o principal modelo de remuneração no setor de saúde suplementar brasileiro baseia-se na transferência direta das despesas geradas pelos prestadores de serviços para as operadoras de planos de saúde, que assumem o pagamento desses custos, o chamado fee for service, ou pagamento por procedimento. Esse modelo, centrado principalmente na transferência de custos, não representa um progresso significativo e oferece poucos incentivos para a melhoria da qualidade da assistência ou para a sustentabilidade do setor. Embora o foco atual na mensuração de despesas e na melhoria de processos assistenciais seja muito importante, ele deve ser complementado por uma avaliação dos desfechos em saúde em relação aos custos envolvidos.
O foco na Saúde Baseada em Valor vem ganhando destaque globalmente, impulsionando um dos seus componentes que é a adoção de práticas e modelos de remuneração que buscam recompensar a entrega de resultados clínicos relevantes ao paciente, ao invés do volume de procedimentos realizados. No Brasil, especialmente no setor de saúde suplementar, o debate sobre esse tema é fundamental para enfrentar desafios como a fragmentação do cuidado, a escalada de custos, e a necessidade de maior transparência. Portanto, este artigo apresenta uma visão geral do conceito de Saúde Baseada em Valor, os principais agentes do setor envolvido, os modelos de remuneração existentes no Brasil, experiências internacionais e principais desafios.
O que é Saúde Baseada em Valor?
A Saúde Baseada em Valor, ou do inglês “Value-Based Health Care” – VBHC, geralmente atribuída a Michael E. Porter e Elizabeth Olmsted Teisberg2, refere-se a um modelo de cuidado orientado para obter os melhores resultados clínicos possíveis para os pacientes em relação aos custos envolvidos. O valor, nesse contexto, é determinado pela relação entre os desfechos de saúde alcançados e os recursos utilizados para atingi-los. O principal objetivo dessa abordagem é melhorar a qualidade e eficiência do cuidado, promovendo o alinhamento dos incentivos entre pacientes, prestadores de serviços, operadoras de saúde e órgãos reguladores.
O conceito de VBHC busca voltar a atenção para o principal agente do setor, o beneficiário, e deve ser definido a partir da perspectiva do paciente. Como o valor depende dos resultados alcançados, sua mensuração deve basear-se também nos desfechos de saúde obtidos, e não somente no volume de serviços prestados. Nesse sentido, o valor incorpora o conceito de eficiência, pois a redução de custos sem considerar os resultados pode gerar falsas economias e comprometer a efetividade do cuidado.
Um dos objetivos do VBHC não é simplesmente reduzir custos, mas sim remunerar os prestadores de serviços com base na eficácia, priorizando o atendimento eficiente que beneficia o paciente. Recompensar os prestadores pela qualidade e eficiência significa reconhecer e incentivar práticas que promovam melhores resultados clínicos, e não apenas a redução de despesas. Por exemplo, a excelência técnica na realização de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos não garante valor quando tais procedimentos podem ser desnecessários ou não contribuir para a melhoria da saúde do paciente.
Em suma, o VBHC propõe uma mudança de paradigma, priorizando investimentos em modelos de remuneração que levam a resultados clínicos melhores e mais eficientes, incluindo intervenções preventivas e monitoramento do cuidado ao longo de todo o ciclo de assistência. Essa abordagem busca garantir que os recursos sejam utilizados de forma estratégica para maximizar o benefício clínico ao paciente, promovendo melhores e mais sustentáveis resultados em termos de qualidade e custo.
Modelos de Remuneração no Brasil
Inicialmente, é importante contextualizar alguns dos modelos de remuneração mais comuns atualmente utilizados na área de saúde suplementar no Brasil, conforme demonstrado na tabela abaixo:
FIGURA 1: MODELOS DE REMUNERAÇÃO
| 1. Por Procedimento No Brasil, o modelo de remuneração predominante na saúde suplementar é o pagamento por procedimento, o tradicional Fee-For-Service. Esse modelo remunera os prestadores de serviço de saúde com base no volume de procedimentos realizados, resultado em simplicidade operacional, além de oferecer transparência e maior controle financeiro ao prestador. |
| 2. Pacote Conceitualmente influenciado pelos Grupos de Diagnósticos Relacionados (Diagnosis Related Groups - DRG), a remuneração por pacote ou Bundled Payment, é um modelo de remuneração que é realizado por episódio de cuidado predefinido3. Os prestadores de saúde recebem um valor fixo, previamente estabelecido, para cobrir todos os custos relacionados a uma determinada condição médica, ou a um conjunto de serviços vinculados a um procedimento específico. Essa abordagem permite o pagamento único ao prestador para cobrir todas as despesas e todos os prestadores envolvidos no atendimento, desta forma, este modelo incentiva maior coordenação no ciclo do cuidado, otimização dos recursos e uma integração multidisciplinar entre os envolvidos. |
| 3. Por Capitação Modelo de remuneração por capitação (capitation) ou por beneficiário, é um modelo que remunera os prestadores de serviços de saúde com um valor fixo, pré-determinado e periódico, por cada beneficiário, independentemente da quantidade de procedimentos realizados. Esse modelo incentiva o gerenciamento eficiente dos recursos por parte do prestador, com foco na prevenção e redução de tratamentos desnecessários, já que o prestador assume a responsabilidade pelo cuidado integral do beneficiário. |
| 4. Por rateio de custos de recursos próprios Esse modelo de remuneração baseia-se no compartilhamento dos custos relacionados à utilização de recursos próprios, como infraestrutura, equipamentos, insumos e equipes, entre as partes envolvidas, a exemplo de operadoras de saúde e prestadores de serviços. As despesas são rateadas de acordo com critérios previamente definidos (como volume de uso, capacidade instalada ou demanda), permitindo a diluição de investimentos elevados, a otimização do uso dos ativos e maior previsibilidade financeira. O modelo é mais recorrente em Operadoras verticalizadas, que detêm controle direto sobre parte ou a totalidade da rede prestadora, o que facilita o rateio interno dos custos e promove um aproveitamento mais eficiente dos recursos próprios, especialmente em contextos que envolvem tecnologias ou serviços de alto custo. |
| 5. Orçamento Global No modelo de remuneração por orçamento global, o prestador de serviços de saúde recebe um montante financeiro previamente estabelecido para custear todos os procedimentos e atendimento em determinado período, independentemente do volume de serviços prestado. O valor do orçamento é definido a partir da análise de parâmetros como projeções de custos históricos, capacidade operacional, perfil assistencial e escopo de serviços contratados, não estando vinculado diretamente ao número de beneficiários do prestador. Essa modelo incentiva o controle dos gastos e a gestão eficiente dos recursos por parte do prestador, uma vez que o prestador assume a responsabilidade de organizar e prestar a assistência dentro do limite financeiro acordado, preservando a qualidade do cuidado e a sustentabilidade econômico-financeira. |
| 6. Por Diária Hospitalares O modelo de remuneração por diária hospitalar consiste em pagar ao prestador de saúde um valor fixo para cada dia de internação. Essa forma de remuneração busca garantir estabilidade orçamentária ao prestador, relacionando a remuneração ao tempo de permanência, sem considerar cada procedimentos específicos realizados. |
| 7. Por Reembolso No modelo de remuneração por reembolso, o beneficiário paga diretamente ao prestador o custo de um serviço ou procedimento de saúde e, posteriormente, solicita à Operadora de saúde o reembolso parcial ou total do valor pago, conforme as regras estabelecidas no contrato e nos limites definidos na regulamentação da ANS. Embora a lógica de remuneração se assemelhe ao pagamento por procedimento, uma vez que a remuneração está vinculada à realização de serviços ou procedimentos específicos, a principal distinção em relação a esse modelo reside no preço de referência do valor-base reembolsado por serviço ao beneficiário, e no fluxo financeiro. Esse formato oferece maior liberdade de escolha de prestadores fora da rede credenciada, mas pode gerar variação significativa nos custos assistenciais. |
| 8. Remuneração por relatório e Remuneração por Performance São modelos de remuneração com incentivo à qualidade, seja no envio de reporte de dados/relatórios (Pay-for-Reporting - P4R), ou pela performance no cuidado (Pay-for-Performance - P4P) com uma remuneração atrelada a indicadores de desempenho de qualidade. Esses modelos são normalmente associados a outros modelos de remuneração – como remuneração por pacote, capitação e por procedimento – e, se tratando especificamente no P4P, adiciona incentivos atrelados à qualidade da assistência prestada aos pacientes, procurando trazer mais eficiência e melhora no cuidado. No entanto, definir métricas justas de resultados, isolando e modelando o verdadeiro desempenho do prestador de serviços, é um desafio à natureza mais complexa dos casos dos pacientes. |
Os prestadores de serviço de saúde no Brasil, seja um hospital, laboratório e medicina diagnóstica ou profissionais de saúde, podem ser remunerados de diferentes formas, conforme o modelo de remuneração acordado com a Operadora de saúde. No gráfico abaixo, com dados extraído do painel Econômico-Financeiro da ANS, são apresentados os volumes de eventos por modelos de remuneração no Brasil:
FIGURA 2: PERCENTUAL DE ATENDIMENTO DE SAÚDE (EVENTOS INDENIZÁVEIS) POR FORMA DE REMUNERAÇÃO - ACUMULADOS NO ANO
*Para o ano de 2025, os dados disponíveis são até 2º trimestre de 2025.
**Não foram incluídos na análise os eventos/sinistros conhecidos ou avisados prestados por rede indireta, a fim de evitar duplicação na contagem de eventos.
Fonte: Painel Econômico-Financeiro da saúde Suplementar da ANS. Acesso em: 18 nov. 2025.
A transição de um modelo de remuneração por procedimento (FFS) para modelos de remuneração baseado em valor é um processo gradual que envolve diversos desafios e mudanças estruturais nos agentes envolvidos. Por ser uma transformação extremamente complexa, precisa do envolvimento de todo o setor, e uma participação do governo, com estímulos regulatórios e políticas públicas pode motivar e auxiliar no processo.
Como mostra a figura acima, essa transição ainda é incipiente no Brasil. Observa-se a redução do pagamento por procedimento e o aumento de outros modelos, sobretudo os pacotes. Por outro lado, já há iniciativas para mudar esse cenário, como a ampliação de modelos de remuneração baseados em valor, com projetos-piloto de remuneração por modelos inovadores, além também da adoção de indicadores de qualidade e Programa de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças. A ANS tem papel fundamental e tem regulamentado e incentivado ativamente esses programas, promovendo a transparência e o monitoramento de resultados e incentivando a melhoria contínua dos serviços.
O valor entregue ao paciente decorre, em grande medida, da atuação integrada dos diferentes profissionais e organizações de saúde ao longo de todo o ciclo do cuidado. Embora os desfechos finais estejam associados à qualidade e à efetividade das ações realizadas nesse ciclo e possam ser positivamente influenciados por elas, esses resultados podem variar em função de características do paciente, determinantes sociais e outros fatores externos. Nesse sentido, o VBHC busca maximizar o valor e melhorar desfechos relevantes ao paciente com foco na qualidade e na efetividade, reconhecendo que não há garantias de resultados universalmente positivos.
Um modelo de remuneração Baseado em Valor pode ser estruturado de diferentes formas, combinando modelos “tradicionais” com modelos com incentivo à qualidade e aos desfechos. Entre alguns exemplos estão o pagamento por performance (pay‑for‑performance), o pagamento por pacote (bundled payment), os contratos de economia e risco compartilhados (shared savings/shared risk) e a capitação ajustada à qualidade. A avaliação costuma considerar uma combinação de experiência e segurança do paciente, adequação/pertinência do atendimento, desfechos clínicos e funcionais (incluindo medidas reportadas pelos pacientes), coordenação do cuidado e custo total do episódio ou da população. No próximo item apresentaremos o tema em maior profundidade.
Modelo de Remuneração Baseado em Valor
O princípio central dos modelos de remuneração por valor consiste em melhorar os resultados de saúde relevantes para o paciente, otimizando simultaneamente o uso dos recursos disponíveis. Dessa forma, os modelos de remuneração devem ser centrados na melhoria da qualidade dos serviços prestados, e não se limitar exclusivamente à redução de custos.
A implementação de um modelo de remuneração por valor deve iniciar com uma avaliação abrangente e estruturada.
Na visão do prestador essa avaliação pode abranger processos como:
- Mapeamento dos processos de cuidado;
- Revisão dos contratos e modelos de remuneração vigentes, com diagnóstico da operação atual e definição da operação futura sob modelos de VBHC;
- Sistema de informação, tecnologia e interoperabilidade de dados;
- Cultura organizacional e alinhamento de objetivos com engajamento de equipes; e
- Avaliação, gestão e sustentabilidade dos custos financeiros atuais da operação vigente.
Na perspectiva da Operadoras de Planos de Saúde:
- Identificar os prestadores de serviço com maior probabilidade de alinhamento às estratégias da organização, considerando o equilíbrio entre o risco assumido e os resultados significativos em termos de custo e melhoria da qualidade.
- Modelar e estruturar os resultados financeiros e clínicos esperado, com indicadores ajustados ao risco em cada processo.
- Monitorar os desempenhos continuamente, identificando variações no cuidado e direcionando os esforços de melhoria para onde terão o maior impacto.
A partir dessas análises é possível identificar oportunidades de aprimoramento tanto na prestação de cuidados quanto nos modelos financeiros existentes, e então é possível desenhar um plano estratégico que estabeleça objetivos claros e que trace um roteiro detalhado para a transição para um modelo centrado em valor.
Para viabilizar essa transformação, as organizações de saúde devem considerar a adoção e o investimento em tecnologias modernas de gerenciamento de dados e aplicar análises avançadas, apoiadas por uma integração de sistemas eficiente e uma gestão de mudanças eficaz e alinhada com o controle dos custos.
Simultaneamente, as organizações podem se concentrar na integração de práticas e redes de atendimento, monitorando continuamente os indicadores de saúde, estruturais, de processo e de resultados. Essa abordagem ajuda a avaliar o que realmente importa para os pacientes e os custos envolvidos na obtenção desses resultados.
De acordo com o Guia para Implementação de Modelos de Remuneração4 da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS (2019), alguns fatores podem reduzir limitações nos diversos modelos de remuneração, como a avaliação da experiência do paciente, a adoção de protocolos e diretrizes clínicas fundamentadas em evidências científicas, a coordenação do cuidado e o compartilhamento de riscos entre prestadores e operadoras. Como resultado, tem-se estruturado uma jornada de transição que, na prática, tem resultado na adoção de modelos mistos ou híbridos, combinando diferentes abordagens, como, por exemplo, o capitation associado ao pay for performance (P4P) ou o pagamento por serviço associado ao P4P, incentivando tanto a eficiência quanto a qualidade do atendimento.
Na transição para um modelo de remuneração por valor, vários pontos precisam de atenção especial, abaixo são comentados alguns desses pontos.
ATENDIMENTO AO PACIENTE
Ao receber intervenções e/ou educação direcionadas, os pacientes podem se tornar mais receptivos as orientações médicas, e a adesão do paciente seguindo essas orientações é fundamental tanto no cuidado como na prevenção, o que pode levar a menos visitas ao hospital e readmissões, além de custos reduzidos com a melhora na coordenação do atendimento. Essa abordagem aprimora a experiência do paciente, garantindo atendimento personalizado e oportuno. Os esforços existentes de medição de processos precisam ser complementados com a medição sistêmica da adesão dos pacientes aos cuidados, para compreender plenamente a ligação entre processos e resultados.
INTEGRAÇÃO DOS ESPECIALISTAS
Com base nos pontos fortes da atenção primária, a integração de especialistas aos modelos de VBHC é essencial para aprimorar ainda mais os resultados dos pacientes. Os cuidados especializados desempenham um papel crucial nessa transformação, pois representam uma parte significativa dos gastos com saúde. Ao envolver especialistas, os sistemas de saúde podem aproveitar sua expertise para gerenciar condições complexas de forma eficaz, com melhores planos de tratamento e resultados sem atrasos, melhorando a eficiência geral, coordenação e a qualidade da prestação de cuidados de saúde.
AJUSTES POR CONDIÇÃO CLÍNICA
Outro aspecto fundamental é a realização de ajustes de risco baseados nas condições clínicas e na linha de cuidado, com a mensuração dos resultados e custos para cada paciente individualmente. Isso garante que a avaliação do valor na prestação de cuidados, seja para uma condição médica específica ou para uma população de pacientes, parta dos resultados de saúde efetivamente alcançados. É importante considerar que as condições iniciais dos pacientes podem influenciar tanto o plano de tratamento escolhido quanto a probabilidade ou grau de sucesso, tornando necessário ajustar os resultados a essas condições para permitir comparações justas entre diferentes populações e ao longo do tempo.
PROCESSOS ANALÍTICOS
A remuneração por valor incentiva uma gestão de custos mais eficiente ao otimizar operações e fortalecer o compartilhamento e a transparência dos dados, ampliando a capacidade de identificar e combater fraudes, desperdícios e abusos. Tal avanço, viabilizado por sistemas de Prontuário Eletrônico do Paciente, proporciona uma visão abrangente da jornada do paciente, enquanto o aproveitamento dos dados de sinistros, crucial para a gestão do desempenho financeiro, oferece entendimento sobre padrões de custos e utilização de recursos, cuja análise permite identificar áreas de melhoria, otimizar processos de faturamento e, por fim, aprimorar a saúde financeira geral.
GESTÃO DE RISCO
A adoção do modelo de remuneração por valor envolve riscos distintos para prestadores e operadoras de saúde. Para os prestadores, destacam-se os riscos financeiro do novo modelo, a dificuldade em definir e mensurar indicadores que representem de forma precisa o valor entregue ao paciente, a falta de interoperabilidade entre sistemas de informação, a resistência cultural de profissionais habituados ao pagamento por serviço e o risco contratual, decorrente de acordos mal estruturados que possam gerar obrigações desproporcionais ou disputas.
Além disso, o objetivo não é comparar prestadores de serviços, mas sim viabilizar inovações no cuidado. Sem esse ciclo de aprendizado, os prestadores não possuiriam as informações necessárias para identificar pontos de melhorias.
Já para as operadoras de planos de saúde, além do risco contratual, há o desafio de calibrar adequadamente os incentivos financeiros, de modo a evitar a redução de cuidados necessários ou a seleção de grupos de menor complexidade, bem como o risco de subscrição, relacionado à precificação imprecisa dos planos diante de mudanças no perfil assistencial e nos custos decorrentes da nova abordagem. Adicionalmente, destacam-se também, o compartilhamento transparente de dados com prestadores e fornecedores, a mensuração do valor nos contratos com métricas confiáveis, o atendimento a requisitos regulatórios e de conformidade, a escalabilidade, e o desenvolvimento de metodologias de ajuste de risco justas e adequadas.
Tendo em vista os riscos envolvidos no processo de transição, uma oportunidade seria o compartilhamento desses riscos. Cada modelo de remuneração atende a objetivos e propósitos distintos, frequentemente adaptados às metas específicas dos pagadores e prestadores envolvidos nos acordos. Para mitigar alguns desses riscos, foram criados modelos diferem nas formas e níveis de transferência de riscos, exigindo uma escolha criteriosa e alinhada ao contexto e às necessidades das partes envolvidas.
A integração dos mecanismos de Shared Savings e Shared Risk aos modelos de remuneração em saúde promove um ambiente mais sustentável, incentivando a eficiência e a qualidade sem comprometer a viabilidade econômica dos prestadores. No modelo Shared Savings, prestadores e operadoras de planos de saúde compartilham as economias geradas pela redução de custos assistenciais, desde que a qualidade do atendimento seja mantida ou melhorada. Já no modelo Shared Risk, além do compartilhamento dos ganhos, prestadores e operadoras também dividem os riscos financeiros, com pagamentos atrelados ao desempenho clínico e financeiro, podendo resultar em bônus ou penalidades conforme os resultados alcançados.
Ambos os modelos têm como objetivo alinhar os interesses das operadoras e dos prestadores, estimulando melhores resultados assistenciais e maior eficiência no uso dos recursos. O compartilhamento proativo de dados entre as partes é fundamental para garantir a responsabilidade no cumprimento das metas de custo e qualidade, impactando diretamente os pagamentos e contribuindo para a entrega de mais valor ao paciente.
Modelos de Remuneração Baseados em Valor no Mundo
Conforme destacado por Noël, F. (2022)5, a pandemia de COVID-19 desempenhou um papel significativo no avanço do VBHC. A pandemia expôs as fragilidades dos modelos de remuneração tradicionais, aumentou a pressão sobre custos e necessidade de coordenar cuidados entre diferentes níveis de atenção, além de impulsionar a telemedicina e o uso de dados para decisões rápidas. Portanto, a crise sanitária global funcionou como um catalisador para a transformação baseada em valor, estimulando sistemas de saúde a adotarem estratégias mais resilientes e sustentáveis, integrando tecnologia, métricas de desempenho e práticas centradas no paciente.
Países como Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Noruega e Suécia têm avançado significativamente na adoção de modelos de Saúde Baseada em Valor, ou na implementação de iniciativas iniciais alinhadas ao VBHC, que promovem maior qualidade e coordenação do cuidado, conforme evidenciado por análises comparativas de diferentes sistemas de saúde6 (Mjåset, Ikram, Nagra, & Feeley, 2020) e por relatório sobre o sistema sueco elaborados pelo European Observatory on Health Systems and Policies7 (Janlöv & Merkur, 2024).
A seguir, resumimos o contexto e as principais iniciativas adotadas por cada um desses países:
- Nos Estados Unidos, o Patient Protection and Affordable Care Act (ACA) em 2010, popularmente conhecido como Obamacare, foi um dos impulsionadores para a adoção de modelos de remuneração e cuidado baseados em valor. Destacam-se as Organizações de Cuidados Responsáveis (Accountable Care Organizations - ACOs) que são organizações formadas por prestadores de serviços de saúde que se juntam para gerenciar o cuidado, e também a promoção de programas como Medicare’s Value-Based Purchasing e modelos da CMS Innovation Center.
No artigo "The Winding Road to Value: Understanding VBC Dynamics in Each Market"8 (O Caminho Sinuoso para o Valor: Compreendendo a Dinâmica do VBC em Cada Mercado), destaca que “é estimado, em 2022, que cerca de 41% dos pagamentos de saúde nos Estados Unidos foram baseados em alguma forma de contrato baseado em valor, vinculado ao custo do atendimento”. - No Reino Unido, a adoção do VBHC ocorre principalmente pelo NHS (National Health Service) por meio de programas como Best Practice Tariffs e Commissioning for Quality and Innovation (CQUIN), que vinculam pagamentos a indicadores de qualidade e integração do cuidado, embora haja desafios na padronização de dados centrados no paciente.
- Na Holanda, o sistema de saúde funciona com um modelo híbrido, gerido tanto pelo setor público quanto pelo privado, e existem políticas nacionais que incentivam a medição de resultados, contratos baseados em valor entre seguradoras e hospitais, e uso de pagamento por pacote, para algumas condições. O governo atua fortemente na regulação, promovendo integração regional, transparência e melhoria contínua. Há uma cultura crescente de colaboração entre provedores, com uso sistemático de dados para benchmark e aprimoramento da qualidade assistencial.
- Já na Noruega, o sistema é majoritariamente público e se destaca na medição nacional de resultados, com registros clínicos de alta qualidade e amplo acompanhamento de pacientes (como o Norwegian Spine Registry), e na integração entre níveis de atenção incentivada por reformas governamentais. O país já implementa alguns pagamentos em pacote, mas ainda sem vinculação direta a resultados, embora os hospitais informem separadamente seus índices de qualidade às autoridades de saúde locais.
- Por fim, na Suécia, o sistema de saúde é altamente financiado pelo setor público, com cobertura universal, e se destaca pelo uso de registros nacionais de qualidade. Esses registros cobrem diversas condições clínicas e permitem medir de forma sistemática os resultados clínicos, com dados por paciente, informações de diagnóstico, tratamento e resultados, promovendo transparência e comparações públicas entre prestadores. Além disso, há cooperação entre regiões e especialistas facilitada por estruturas nacionais e pelo envolvimento de entidades como a Associação Sueca de Autoridades Locais e Regionais (SKR), Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar (Socialstyrelsen) e Serviços de Saúde e Assistência (Myndigheten för vård- och omsorgsanalys), para definir padrões de cuidado e implementar mudanças com base em evidências.
Desafios
O VBHC não é um modelo universal e precisa ser adaptado ao contexto local. Administrar e monitorar programas baseados em valor costuma ser mais complexo do que o modelo tradicional Fee-For-Service, e o processo de transição pode apresentar diversos desafios, visto que não existe um modelo de remuneração perfeito e ideal capaz de resolver todas as complexidades assistenciais da saúde suplementar no Brasil. Abaixo são detalhados alguns dos principais desafios identificados:
DESAFIOS TÉCNICOS E OPERACIONAIS
- Ajuste de risco – Adequar modelos de remuneração e avaliação de desempenho levando em conta diferenças no perfil clínico, demográfico e socioeconômico dos pacientes, evitando distorções na comparação de resultados entre prestadores. Um componente crítico da concepção desses modelos é assegurar que a medição de desempenho se ajuste a fatores fora do controle do especialista (ex.: comorbidades, gravidade clínica inicial), eliminando variações indevidas e garantindo comparações justas.
- Gestão ativa do cuidado – Implementar acompanhamento contínuo e coordenado dos pacientes, com foco na prevenção, controle de doenças e redução de eventos agudos, integrando diferentes níveis de atenção.
- Intervenções direcionadas ao paciente – Desenvolver estratégias personalizadas de cuidado e engajamento, baseadas nas necessidades específicas e contexto social de cada paciente.
- Indicadores atualizados e métricas baseadas em valor – Garantir coleta e disponibilidade de dados confiáveis e relevantes ao mercado brasileiro, além de definir métricas claras para medir desempenho clínico e organizacional.
- Investimento em tecnologia – Aplicar recursos em ferramentas modernas, interoperáveis e soluções analíticas avançadas que apoiem decisões clínicas, gestão populacional e monitoramento de resultados.
DESAFIOS DE INTEGRAÇÃO E MODELOS DE ATENÇÃO
- Variabilidade de modelos de saúde entre contratos e fragmentação do cuidado – Enfrentar a diversidade de arranjos contratuais e formatos de prestação de serviços, que podem gerar falta de integração entre equipes e instituições, dificultando a coordenação e continuidade assistencial e a padronização de resultados.
DESAFIOS FINANCEIROS
- Incerteza financeira e necessidade de planejamento cuidadoso – Administrar riscos econômicos durante a mudança para modelos baseados em valor, com estratégias de transição e projeções financeiras bem definidas.
- Adaptação da receita dos prestadores - Para ter sucesso nesses programas, coexistem oportunidades para os prestadores, seja de incremento de receita, ou a necessidade de recalibrar o mecanismo de remuneração. A receita pode aumentar quando são cumpridas metas de qualidade e de custo, notadamente por meio de mecanismos de compartilhamento de economias e de participação nos ganhos decorrentes de melhores desfechos clínicos e do uso mais apropriado dos serviços de saúde. Em paralelo, para sustentar a transição, os prestadores devem elevar a eficiência operacional e ajustar seus mecanismos de remuneração, mitigando eventuais reduções da receita baseada em serviços por meio da ampliação do volume elegível e da retenção de pacientes na rede, bem como por meio de contratos de compartilhamento de risco.
DESAFIOS CULTURAIS E ORGANIZACIONAIS
- Mudança cultural, fluxos de trabalho e processos – Promover transformação organizacional que envolva liderança forte, comunicação transparente, e adaptação de rotinas para sustentar o novo modelo de cuidado.
Conhecimento para enfrentar esses desafios é fundamental para as organizações que desejam implementar o VBHC. O sucesso requer planejamento estratégico, inovação e compromisso com a melhoria contínua.
Considerações Finais
O objetivo dos modelos de VBHC é que as organizações prosperem em um ambiente em que a remuneração está atrelada à qualidade e aos resultados, em vez de somente na quantidade de serviços prestados. Para isso, a implementação do VBHC exige inovação, planejamento e execução estratégicos, de modo a garantir melhores resultados para os pacientes ao mesmo tempo que se gerenciam os custos de forma eficaz.
A transparência é um pilar essencial da Saúde Baseada em Valor, a análise de dados confiáveis potencializa a prática clínica, melhora decisões e gera benefícios tanto para os pacientes quanto para o sistema de saúde. Em termos práticos, ela é o mecanismo que viabiliza a mensuração consistente de resultados e custos, permitindo inovações nos serviços com identificação de oportunidades de melhoria. A mensuração pode ser inicialmente aplicada a um conjunto restrito de condições clínicas prioritárias, expandindo-se gradualmente conforme a infraestrutura de dados, os processos de avaliação, e a experiência das equipes se desenvolvem. O uso de tecnologias digitais, integração de dados e inteligência artificial aceleram esse ciclo, aumentando a qualidade dos indicadores e a capacidade de monitoramento contínuo.
Com bases sólidas de transparência e mensuração, torna-se possível alinhar incentivos entre os agentes. Adotar o VBHC tende não apenas a aprimorar o atendimento ao paciente, como também a direcionar as organizações para um sucesso financeiro sustentável. Há potenciais benefícios para ambos os lados: do ponto de vista dos pagadores, maior previsibilidade de custos e incentivos para a utilização mais adequada, já do lado dos prestadores, oportunidades de realizar melhorias significativas em custo e qualidade. Para que o modelo seja bem-sucedido, é necessário equilibrar incentivos eventualmente conflitantes, assegurando benefício mútuo e evitando distorções. A colaboração entre os agentes e o fortalecimento da regulação são fundamentais para definir padrões, assegurar governança de dados e orientar contratos que premiem valor de forma justa e transparente.
A implementação de modelos de Saúde Baseada em Valor representa um caminho promissor para tornar o sistema de saúde suplementar mais eficiente, sustentável e centrado no paciente. Superar os desafios identificados exigirá esforços coordenados e contínuos. O aprendizado com experiências internacionais mostra que a adoção avança quando transparência, mensuração e incentivos caminham de forma articulada, em fases, e pode acelerar a transição no Brasil ao oferecer evidências sobre práticas, métricas e arranjos contratuais eficazes. A tendência é que o setor de saúde suplementar brasileiro avance na adoção de modelos baseados em valor, impulsionado por demandas de sustentabilidade e qualidade.
1 Doenças Crônicas Não Transmissíveis são a maior causa de mortes no Brasil. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/w/noticia/doencas-cronicas-nao-transmissiveis-sao-a-maior-causa-de-mortes-no-brasil. Acesso em: 14 nov. 2025.
2 Porter ME, Teisberg EO. Redefining health care: creating value-based competition on results. Boston: Harvard Business School Press, 2006.
3 What are bundled payments and how can they be used by healthcare organizations? Disponível em: https://www.milliman.com/en/insight/what-are-bundled-payments-and-how-can-they-be-used-by-healthcare-organizations. Acesso em: 29 jan. 2026.
4 Guia para Implementação de Modelos de Remuneração baseados em valor – 2019 – ANS. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/assuntos/gestao-em-saude/projeto-modelos-de-remuneracao-baseados-em-valor/guia_modelos_remuneracao_baseados_valor.pdf. Acesso em: 10 dez. 2025.
5 Accelerating the pace of value-based transformation for more resilient and sustainable healthcare. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9761466/#:~:text=It%20is%20unleashing%20an%20era,out%20by%20Porter%20and%20Lee. Acesso em 25 nov. 2025
6 Value-Based Health Care in Four Different Health Care Systems, November 10, 2020, por Christer Mjåset, MD, BA, Umar Ikram, MD, MPH, PhD, Navraj S. Nagra, MD, PhD, MS,Thomas W. Feeley, MD. Disponível em: https://catalyst.nejm.org/doi/full/10.1056/CAT.20.0530. Acesso em 18 nov. 2025
7 Sweden - Health system summary 2024. Disponível em: https://eurohealthobservatory.who.int/publications/i/sweden-health-system-summary-2024#:~:text=O%20sistema%20de%20sa%C3%BAde%20sueco,sa%C3%BAde%20e%20a%20alta%20administra%C3%A7%C3%A3o. Acesso em 18 nov. 2025
8 The Winding Road to Value: Understanding VBC Dynamics in Each Market. Disponível em: https://www.milliman.com/en/insight/winding-road-to-value-vbc-dynamics . Acesso em: 23 set. 2025
Referências
Doenças Crônicas Não Transmissíveis são a maior causa de mortes no Brasil. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/w/noticia/doencas-cronicas-nao-transmissiveis-sao-a-maior-causa-de-mortes-no-brasil. Acesso em: 14 nov. 2025.
Porter ME, Teisberg EO. Redefining health care: creating value-based competition on results. Boston: Harvard Business School Press, 2006.
Porter, M. E. (2010). What is value in health care? New England Journal of Medicine, 363(26), 2477-2481. Disponível em: https://doi.org/10.1056/NEJMp1011024. Acesso em: 14 nov. 2025.
What are bundled payments and how can they be used by healthcare organizations? Disponível em: https://www.milliman.com/en/insight/what-are-bundled-payments-and-how-can-they-be-used-by-healthcare-organizations. Acesso em: 29 jan. 2026.
ANS – AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Painel Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiM2EyNGY3OGItNWZmYy00ZTJkLWI5YjAtMWU3OTFlZWNmNTYxIiwidCI6IjlkYmE0ODBjLTRmYTctNDJmNC1iYmEzLTBmYjEzNzVmYmU1ZiJ9. Acesso em: 18 nov. 2025.
Navigating value-based care in 2025: How to implement it successfully in your practice. Disponível em: https://medinsight.com/healthcare-data-analytics-resources/blog/navigating-value-based-care-in-2025-how-to-implement-it-successfully-in-your-practice/. Acesso em: 23 set. 2025.
The Winding Road to Value: Understanding VBC Dynamics in Each Market. Disponível em: https://www.milliman.com/en/insight/winding-road-to-value-vbc-dynamics. Acesso em: 23 set. 2025.
Modelos de Remuneração Baseados em Valor – 22/05/2024 - Jornada ANS - SANS/DIDES/GEEIQ – Ana Paula Silva Cavalcante. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/assuntos/noticias/pdfs-para-noticias/hospitalar-apresentacao-ana-paula.pdf. Acesso em 23 set. 2025
Guia para Implementação de Modelos de Remuneração baseados em valor – 2019 – ANS. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/assuntos/gestao-em-saude/projeto-modelos-de-remuneracao-baseados-em-valor/guia_modelos_remuneracao_baseados_valor.pdf. Acesso em: 10 dez. 2025.
Quais são os modelos de pagamento em saúde e como se conectam ao VBHC? 13 de março de 2025, por IBRAVS. Disponível em: https://ibravs.org/quais-sao-os-modelos-de-pagamento-em-saude-e-como-se-conectam-ao-vbhc/. Acesso em 18 nov. 2025
Value-Based Health Care in Four Different Health Care Systems, November 10, 2020, por Christer Mjåset, MD, BA, Umar Ikram, MD, MPH, PhD, Navraj S. Nagra, MD, PhD, MS,Thomas W. Feeley, MD. Disponível em: https://catalyst.nejm.org/doi/full/10.1056/CAT.20.0530. Acesso em 18 nov. 2025
Sweden - Health system summary 2024. Disponível em: https://eurohealthobservatory.who.int/publications/i/sweden-health-system-summary-2024#:~:text=O%20sistema%20de%20sa%C3%BAde%20sueco,sa%C3%BAde%20e%20a%20alta%20administra%C3%A7%C3%A3o. Acesso em 18 nov. 2025
Evaluating and negotiating value-based care contracts, By Dustin Grzeskowiak, Jason Altieri, and Brent Jensen, 4 August 2025. Disponível em: https://www.milliman.com/en/insight/evaluating-and-negotiating-vbc-contracts. Acesso em 18 nov. 2025
Accelerating the pace of value-based transformation for more resilient and sustainable healthcare. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9761466/#:~:text=It%20is%20unleashing%20an%20era,out%20by%20Porter%20and%20Lee. Acesso em 25 nov. 2025
Modelos De Remuneração Na Saúde Suplementar - Reunião de Fechamento da Fase I do Grupo Técnico de Remuneração. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/acesso-a-informacao/participacao-da-sociedade/camaras-e-grupos-tecnicos/camaras-e-grupos-tecnicos-anteriores/grupo-tecnico-de-remuneracao/7reuniao_2017_remuneracao_apresentacao_karla_coelho2.pdf. Acesso em 25 nov. 2025